Quem são os jovens traficantes que comandam parte dos crimes no Rio?

O Rio de Janeiro é tido como uma das cidades mais perigosas para se viver e visitar, e a figura do malandro carioca por muito tempo esteve no imaginário popular como a representação do jovem criminoso: alguém que realizava pequenos delitos para prover as necessidades de sua família ou mesmo pequenos luxos para si.

Depois da figura do malandro, a representação que até há pouco tempo era a descrita pela sociedade era de alguém com um perfil semelhante aos personagens descritos por Paulo Firmino e adaptados ao cinema por Fernando Meirelles no filme “Cidade de Deus”; alguém sem vínculos familiares, portanto sem receio de avançar e expandir poder no mundo do crime.

Contudo,

segundo uma reportagem da BBC Brasil, o perfil do traficante carioca de hoje em dia está cada vez mais distante da figura mítica de “Zé Pequeno”. Hoje, o que se vê é um jovem que se iniciou no crime após algumas tentativas de trabalho formal, porém estas foram precárias; que abandonou a escola cedo para auxiliar a chefe da casa, que na maioria das vezes é uma mulher, a prover a subsistência da familia; que depois de adultos constituiram suas próprias famílias e permanecem no mundo crininoso como meio de prover uma subsistência melhor aos seus entes próximos.

É interessante destacar que além do perfil mais “família”, a quantidade de indiciados por tráfico de drogas que indicam frequentar igrejas evangélicas cresceu consideravelmente; e que muitas vezes, a questão religiosa também influencia no modus operanti destes criminosos. O que se percebe é que com o advento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s), o desenrolar do crime nas periferias precisou ser adaptado para um modelo mais discreto, e este perfil mais contido dos jovens traficantes foi o grande diferencial que permitiu que eles atuassem em seus redutos, sem grandes situações de enfrentamento.

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